sábado, 2 de janeiro de 2010

40 ANOS DE SHARLÚCIA CREME CRÁQUER. PARTE 1


Filhotinhos e filhotinhas....

Dia 28 de novembro passado foi o dia do acontecimento que vai ficar nos anais, nos orais, nos setentrionais da História : FESTA DE 40 ANOS DE MINHA AMIGA SHARLÚCIA CREME CRÁQUER ( a gente escreve assim porque somos dessas).

Desde setembro de 2007 eu, Selinha bóle bóle, Kátia do 51, Sheila irmã de Selma, Maurinho boca-de-bueiro e a própia Shashá estávamos fazendo salgadinhos e estocando no freezer da associação de moradores de Paquetá, pra ja deixar garantida a abundância de bilisquetes do evento.

Eu era a encarregada das coxinhas e do folheado de ameixa com bacon - festa de pobre sem essas guloseimas é que nem puteiro sem chuveiro: " de quinta" .

Sharlucia sempre foi " que nem nós" : galinha e equivocada. Sempre roubou Bis nas Lojas Americanas, sempre se embebedou em festas infantis e terminava, nua, abraçada com o recreador, gritando " me chama de gaveta e me abre me fecha e me desarruma toda". Sempre ajeitou a calcinha esgarçada que sismava em desaparecer pelas suas dobras de mulata bunduda. Sempre foi suja, serelepe e solidária.

Sharlúcia foi a primeira de nós a fazer um aborto (mesmo porque eu só posso ter algo parecido com gravidez quando misturo caldo de cana quente com sopa de siri ). Sharlúcia foi a primeira de nós a ter seu nome num B.O. . Sharlucia foi a primeira a colocar piercing no umbigo. Sharlúcia foi a primeira a refazer o umbigo depois de nossa participação em uma suruba de fetichistas. Sharlucia foi a primeira de nós a fazer sexo pago. No caso, o preço era um esmalte colorama rosa-crepúsculo,um frasco de acetona e um pau-de-laranjeira. O algodão quem conseguiu fui eu em troca de manuseios na virilidade alheia. Gostou??? Isso foi quase Sabrina. Foi quase Júlia. Quase Bianca - Um dia conto pra voces o que fiz pra conseguir meu primeiro três em um da CCE - Achava o da sony muito melhor mas ainda não tinha descoberto o listerine na época e sentia certos nojos. Ui...metafórica eu....

Em Maio de 2009 Sharlucia nos avisou que estava de namoro com o 401 ( a gente nomeia nossos bofes pelo número dos prédios em que trabalham). Kleber Sereno era o nome dele.

Sharlúcia tava toda mulher. Toda úmida, feminina e adjacente. Uma verdadeira bandeja de danoninho: doce ,cremosa e baratinha.

Ficamos felizes,audazes, plenilúnicas com nossa amiga. Quando puta namora os anjos dançam lambada. È babado certo no céu.

Uma loucura. Namoro super chique. Kleber fez até crediário pra comprar um Lap top da Xuxa pra Shashá que era mais analfabeta que porquinho da ìndia de barraca de "onde entrar leva o premio " de festa Junina de Mallet.

Shasha evoluiu. Aprendeu a fazer a cuirva do "o", a perninha do "erre", ler de carreirinha e sabe tudo sobre a banheirinha da Polly, a casa de praia da Polly, a pet shop da Polly, a clínica de reabilitação da Polly . Fofa, lúdica e inefável.

Ela sabia que estávamos animados com sua festa de 40 anos e que já tinha até salão alugado graças ao auxílio do TREMOÇO rapaz de boa índole que acredito ser dentista de tanto que me falam que ele trabalha em boca. Sou assim serena ,lírica e sonsa - porque quem morreu foi Joana D´arc. Eu to viva e de queimada só tenho a biografia.

Tava tudo organizado. Tudo lindo. Tudo afro-brasileiramente organizado . Até show do MC BRONHA NERVOSA a gente conseguiu na camaradagem. E cade Sharlúcia??? Sumiu...Desapareceu....Tornou-se uma nódoa lacustre em nossas memórias. Nem os búzios de Selminha de Omolu deram notícias da amapoa...

Até que no dia fatídico de 22 de outubro desse ano, meus amigos todos receberam um convite com uma imagem de JESUS CRISTO, mas como se Ele tivesse ascendencia Austríaca e fizesse a barba no Jassa. O cartão continha esses dizeres impressos entre trigos dourados de uma cafonice maior que mensagem de feliz ano novo em show do Elymar Santos : "IRMÃOS EM CRISTO. HA 40 ANOS ATRÁS JESUS DERRAMOU SUAS BENÇÃOS SOBRE A TERRA NA FORMA DE SHARLÚCIA PENHA SILVA MORAES,MINHA ESPOSA. VENHA COMEMORAR CONOSCO ESSA BENÇÃO COM UM CULTO DE LOUVOR AO NOSSO DEUS DE MARAVILHAS. DEPOIS VOCE E SUA FAMÍLIA ESTA CONVIDADO (assim mesmo, sem plural - Nota do Autor)A COMER UM BOLO COM A ANIVERSARIANTE E NOSSA FAMÍLIA. DEUS É DEZ".

Fofinhos da titia...Eu me mijei toda...Toda...Meu emplasto sabiá ficou parecendo refugo de enchente...SHARLÚCIA MACHADO (não podia ver pau sem derrubar) virara (adoro) "do Senhor".

Passado o trauma da revelação percebi que eu não recebera o convite. Nem eu, nem Maurinho boca de Bueiro, nem Sheila irmã de Selma. As duas bichas e a piranha mãe-de-santo foram excluídas....Sofremos dias. Choramos lembrando as tardes que passamos amassando salgadinhos, fedendo a caldo knorr e com o cabelo cheio de farinha... Foi muito difícil pra gente. Mas tomamos uma decisão firme: IRÍAMOS A FESTA. E MOSTRARÍAMOS NOSSO PODER SUPER LATRINA. Porque se tem coisa que não existe é ex-puta e ex-viado. É tudo falta de alcool no sangue...

O barraco tava armado.


(continua.....)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


Saravá meu povo fofo. Coisas bruzunguinhas da titia.
To toda assada. Tenho tanta areia dentro da calcinha que to com medo de peidar uma ampulheta.
Passei meu reveillon no Piscinão de Ramos, preciso dizer mais alguma coisa??? Gente.....Não quero ser preconceituosa ou parecer que tenho complexo de superioridade mas só vi tanta gente feia junta, assim, na fila de cadastro pra fazer figuração do vídeo da campanha eleitoral do falecido deputado ALBANO REIS. O povo se esmerou. Deram o melhor de si. Tanta gente sem dente...O povo abria a boca e era aquele vácuo infindo...Depois que eles começaram a se comunicar entendi tudo: Era um tal de MINHAS FILHA, MINHAS SIDRA, MEUS AMÔ, MUITAS FELICIDADE.... O povo perdeu os dentes mastigando os "S" dos plurais. Fiquei odontológica,aurélica e singulística. Descobri que uma ONG chamada PELO DIREITO DO GONGADO tinha levado alguns de seus associados pra visitar o piscinão.Numa tentativa de inclusão social,sociabiliação de excluídos...essas coisas de gente que gosta de aparecer bem na foto do jornal de bairros. chatos...
É muito difícil ,pra mim, com minha beleza de semi-travesti com um seio só encarar a feiúra alheia. Sempre fui elogiada pelo meu cabelo sem viço.Sempre chamei atenção pela minha sensualidade brejeira ilustrada pelas minhas cicatrizes de mordida de mosquito e furúnculos. sempre fui um parametro de "como-se-deve-ser" de "como-se-deve-agir" .
Ainda bem que esse povo uó voltou pras tocas antes das onze horas. Tinham que assistir ao SHOW DA VIRADA com uma garrafa de xiboquinha na mão . Simpatia aprendida num progrma popular de rádio que garantia sucesso e prosperidade. Tá bom....Adoirei porque sobrou um elenco altamente investível.Gente da melhor qualidade. Trabalhados no REXONA e com o polvilho bombando nas dobrinhas pra evitar o aroma de panetone velho. Afinal ser pobre e feio é karma mas ser relaxado é falta de vergonha no forévis e de consultora Jequiti.
As 23:30 chegou um grupo de pagode de OLARIA chamado NEGADA PEGANDO FIRME. Gente....Fiquei étnica, famélica e sangüisedenta com o elenco de bofes bem alimentados da região. Todos com aquelas bermudinhas "pega-ma-pelanca" e com umas camisas "se-me-chupam-pago-um-bob´s ". Tremi que nem cu-de-pinto ,que nem bambuzal sob o vento noroeste. Ramos é tudo gente...Ramos é luz gente ( mas que nesse reveillon tinha um elenco puixado,isso tinha. Me desculpe o povo que tem acendente em DARCY RIVEIRO e que gosta de ver beleza em tudo que é rostinho sujo de terra. Quem me provar o contrário ganha um kit NATURA BEBÊ- Nem vou comentar a quantidade de cicatrizes de apendicite disfarçadas com tatuages de são jorge) . Os populares e silvículas da região são muito malemolentes, cheios de uma carioquicidade nagô que me deixa a virilha com a temperatura exata pra se fazer uma sopa de entulhos. Tem uns moreninhos tratados a geléia de mocotó que me fazem femea,me fazem gardenia,me fazem tênia. Soliun e saginata. Sou dessas.Quase uma MARMICOC que anda. Rebolando e deixando as batatas moles.
Sambei horrores. Rebolei horrores. Me insinuei horrores - e levei pandeirada horrores quando o menino do cavaco percebeu que eu estava semi-nua me jogando em cima dos percussionistas pedindo pra tocar GAROTO MAROTO. Derrota....mas gostei das pandeiradas. Foram mimosas. nem fiquei roxa....Se bem que, da minha cor, se ficasse roxa seria gangrena. Dei9xei de ser branca pra ser franca.
Festa família...Todo mundo com suas roupas brancas....A praia era uma brancura só...Parecia um grande depósito de velas de sete dias. Achei deja vu essa tendencia monocromática. Fui de bata esvoaçante vermelha e quem me via de longe parecia estar presenciando uma cereja epilética no meio do açucareiro. Fiquei rubra,rosa e nacarada. Eu de branco pareço uma hipopotoma mono-teta em festa em boca-de-fumo.
Bebi tanta Sidra Cereser e comi tanto pernil com pão que meu arroto ta com cheiro de uma mistura de bonzo com garnier fruicts.
Só não fiquei mais bêbada porque tive uma crise de labirintite acompanhando o circular infindo do barquinho que minha amiga Glória de Vista Alegre insistiu em oferecer pra Iemanjá dentro do piscinão. Imagina gente....Barquinho no piscinão??? Arrumou briga com Iemanjá pra vida toda...Já saiu de lá com trombose e clamídia.
To passando rápido pra desejar feliz Ano-novo pra voces. To devendo atualizações no meu diário...Aguarde a minha aventura no MANHUNT e os 40 anos de SORAYA-MORDE-SACO.
aAmo voces...To cansada...Cheguei da rua agora e ainda tenho que chamar o C.S.I. BANGU pra me ajudar a seprar o que sou eu da crosta de lama misturada com sidra e kolene que molda meu corpo.
To agreste.To cipreste. To everest.
Bjus na beirinha do suadinho.
Volto em breve falando que nem o homem da cobra. FELIZ 2010

terça-feira, 6 de outubro de 2009

LARGA DE MIM. FOREVER

Filhotinhos e filhotinhas!!

To seropédica,semi-circular e fotofóbica.

Há algo de equivocado no ciclo kármico da minha encarnação. Tudo o que faço é no mínimo surreal. Parece que Deus, na hora de me construir moldando-me do barro primordial, tinha acabado de coçar seu cu divino.

Não me chamem de herege. Aprendi desde criança que sou a imagem e semelhança Dele, portanto, já que não peido por um foco de luz violeta, devo supor que Deus tem cu.
Muito franca e honesta.

Consegui um emprego de maquiadora de atores de filme pornô através de minha amiga Dora da Croácia, cafetina de Sepetiba, que coloca umas meninas no ramo de filmes eróticos em troca de uma porcentagem bacana de cada uma que é aproveitada em alguma cena. Comprei um kit PAYOT e levei algumas amostras grátis dos produtos Jequiti e Natura que ainda me restavam. Assisti a alguns BLOCK BUSTERS do SexyHot e percebi que sombra azul, batom "Vermelho Super Chico" ,base perolada e blush rosa-antigo são uma super tendência na cinegrafia putológica. Levei um vidrinho de óleo Paixão pra deixar os pintos dos atores com aparência de bisnaguinha Seven Boys e fui, linda, me jogar na minha empreitada dermatológica.

O set de filmagem era em TINGUÁ, distrito de Nova Iguaçu. Queriam filmar na mata. O nome da película: LARGA DE MIM.

Achei prosaico,metafórico e lúdico. Pensei que era algo do tipo "pornô com história", mas a verdade, não tardou a se apresentar: um pouco afastada da área de filmagem, uma atriz que, de tanto quadril, deveria pagar IPTU ao invés de Imposto de Renda, resolveu tirar a roupa e se alongar no meio do matagal. Uma família de saguis, pensando avistar uma toca quentinha, desapareceu por dentro do canal vaginal da moça.
Fiquei póstuma, pretérita e nefelibata ao ver OITO saguizinhos SUMIREM dentro da atriz .
Foi um rebú na casa de Noca. A diva se contorcia em cócegas angustiantes e o diretor gritava de pavor, com medo de perder a luz do dia para fazer suas cenas de estética nouvelle vague, com ascendente em Cicciolina fazendo Papa-Nicolau. Os bichinhos só deram o ar da graça depois que colocaram a dita cuja arreganhada diante de um pratinho de banana amassada com Neston. Os bichinhos saíram famélicos, fotofóbicos e atordoados. O último deles carregava uma embalagem de pão Pullmann que a atriz (ui) reconheceu como o lanche que ela levara pro seu marido na ultima visita íntima e que pensava ter perdido em sua última ducha higiênica com Veja Multi-uso e Diabo Verde.

Ao perceber a naturalidade com que o fato foi encarado e ao notar que uma outra atriz chamada Tatu Malibu treinava uma dilatação com uma garrafa pet cheia de Mineirinho Diet, eu descobri que o LARGA do título do filme não era verbo e sim adjetivo.

Tremi. Oxiúrica, melômana e sonrizálica.

Mas voltando a maquiagem...

Afinal, era essa minha parte desse latifúndio. Virei pro diretor, que parecia um peixeiro velho com uma calça jeans dessas mais antigas que cantora de mpb hetero (acho que já usei essa piada), e perguntei quem eu deveria maquiar e onde faria isso. Ele me apontou três homens semi-nus que estavam debaixo de uma jaqueira e disse que podia fazer meu serviço ali mesmo.
Gente... Nunca rezei tanto. Pra cada igreja que vinha à minha mente, eu desfiava um rosário. E olha que eu já morei em Salvador e sou garota calcinha-asa-delta 87 de Ouro Preto. O mais suave deles tinha cara de quem comia criancinhas desprotegidas (gastronomicamente falando, tenha dó). Com três gotinhas de Zerocal pra manter a forma. Nele e no mais novo, eu deveria fazer uma pintura semi-indígena, semi-aboríginea, semi-fusa, semi-breve, semi-colcheia, semi-a-puta-que-me-paríngenia ( To baixa, né? Sou dessas...). Pintei os dois, enquanto o terceiro ficava me olhando debaixo da jaqueira passando, a toda hora, hidratante Monange na virilha pra deixar as dobrinhas da coxa gorda com sensação de frescor arbóreo.
O rapaz, em pauta, era amulatado e tinha as costas do tamanho de uma Cherokee. O diretor não queria que ele tivesse maquiagem indígena, mas também não poderia parecer alguém muito urbano. Tinha que disfarçar traços de civilização contemporânea e investir num look rústico-clean-Macho Alfa. O bofe tinha um Jesus Cristo e a frase O SENHOR É MEU PASTOR tatuados na omoplata esquerda. Na omoplata direita um rosto de bebê com a frase TE AMO, JÉSSICA, TEZOURO DO PAPAI (com Z mesmo, miséria pouca é bobagem).
Na base da coluna, uma cópia tosca da sagrada família, desenhada por alguém semi-cego (to investindo no SEMI hoje) e com Mal de Parkinson, completava a decoração quase eclesiástica daquele ator pornô, cujo nome artístico era GIANI BISNAGUÉTI.

Pelos atributos que eu ali via todo besuntado e lubrificado, eu o chamaria de GIANI PANETONNE.
Sou dessas: natalina, episcopal e ninfomaníaca.
Meu diretor disse que aquilo não combinava com filme pornô e que eu deveria fazer aqueles rabiscos desaparecerem.
Tremi. Ruborizei. Transcendi.
Pedi quinze minutos e, com meu orçamento parco, comprei uma bisnaga de Hipogloss, um saquinho de Nescafé e um potinho de cola plática. Misturei tudo e, Michelângela, Picássica e Di Cavalcântica, improvisei uma base terracota, que deixou as costas do cafú uma beleza de ser filmada.

Ganhei o respeito de todos. Fui feliz e maviosa e ainda convidada pra trabalhar em BÓLE NO MEU FURICO parte 4.
Felicidade total, êxtase.

Até que, depois de movimentos bruscos e contundentes, a maquiagem marrom do ator começou a derreter no meio da cena. E como vocês sabem, essa cor não fica muito bem em cenas de ousadias duodênicas....
Levei um pé na bunda em lá bemol e voltei pra casa dura, mas com o telefone do Bisnaguéti, que quer que eu faça o truque do texugo mordedor nele.

Simpatia é quase chuca.

Bjus nos acentos agudos, gente!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

PÁ PÁ PÁ PÁ PÁ


Filhotinhos e filhotinhas desta semi-travesti carioca de baixa renda, mas com vocabulário lapidado nas fornalhas de Coquetel Bronze, Prata, Ouro e Marfim da Ediouro.
Hoje venho aqui pra lhes desfiar um rosário de penas e lamúrias, tão pretérita, lacustre e parva que fico com a violência desta cidade.
E ainda querem fazer Olimpíada por aqui, gente...
Se bem que estamos treinados em corrida de obstáculos, salto sobre mendigos-dormindo-na-calçada e fuga de bala perdida.
Enfim... Vamos ao assunto, pra vocês entenderem o porquê desta minha cara toda amassada dos solavancos que levei na casa de Brígida Fofolette e Debby Rolicinha, gêmeas-travas-gordas e coordenadoras da ala das baianas da escola de samba "ALEGRETES DO JABÚ".
Sábado passado, elas fizeram um mocotó amigo pra apresentar as fantasias pra 2010. Me ligaram na sexta avisando.
E eu, que não perco uma oportunidade de vender meu JEQUETI,minha HERMES e minha NATURA, me preparei folgazã pra empreitada antropológica de visitar minhas amigas travasfantes e seus discípulos.
No dia do babado, cedinho, comecei a produção fofa que incluía calça de elástico, pra poder comer sem ter que ficar toda desbucetada, de fecho-ecláir aberto, reclamando que precisa de um Eno guaraná, pra se sentir digna.
Cheguei na festa, e a JOVELINA PÉROLA NEGRA gritava as adversidades entre legumes, numa certa feira sem-luz no meio da Pavuna.
Era tanta gente feia, que se alguém tirasse uma foto do elenco e pintasse de azul, todos achariam que se tratava de uma pintura de PICASSO feita sob efeito de uma forte crise de labirintite, daquelas bem risonhas e límpidas, como caminhar sobre paralelas numa linda manhã de setembro.
Um cachorro fedendo a chulé e duas galinhas magras completavam a fauna.
A uma certa hora, soube que o cachorro se chamava ARALHO. Brígida inflava os pulmões pra gritar, a cada vez que encontrava algum ossinho que pudesse alegrar seu bicho:
VEM CÁ ARALHO!!! DEIXA DE SER SAPECA, ARALHO! É PRA COMER! NÃO BRINCA, ARALHO!!!!
E lá vinha ele abanando seu rabinho rescendente a calcinha de mulata, depois de samba em inauguração de loja de colchão em dia de calor em Bangú.
Fiquei putrefata, totêmica e aristotélica.
As irmãs trava-rinocerontes estavam num modelito Du Loren, com penachos na cabeça e um pegnoir com a cara do Zico.
Não me perguntem por que. Deve ser quisila de Oxossi.
Brigida Fofolette era a mais bonitinha de todas e ostentava uma virilha tão depilada quanto uma casca de coco seco.
A barriga tinha tanta estria, que parecia aquelas forminhas de brigadeiro em festa de gente humilde, que vontade de chorar.
A perna com tanta micro-pereba de ácido úrico, que se ela pintasse cada uma de prateado, poderia usar como mapa de galáxias pelo Planetário nacional.
Não descreverei o resto do lay-out de Brígida, nem a singeleza de Debbynha porque... "we are the world, we are the children" e ADALAT tá difícil de achar na farmácia popular.
Uma das convidadas, uma veterana da escola de samba, cismou comigo e disse em bom vernáculo que não tinha ido com a minha cara.
Me chamou de "bicha-nega-preta do peito caolho" e ainda disse que só não me expulsava da festa de baixo de porrada, porque tinha feito cateterismo na quinta-feira e tava de preceito da Nanã Buruquê.
Tremi.
Desgraça nunca vem desgarrada e praquele encosto estar tão corajoso, é porque não devia estar sozinho.
Nunca vi pipa de papel ruim voar sem rabiola.
Almoço passou. O mocotó era uma água de chuca batizada...
Minha giárdia está de recesso até hoje.
Consegui vender dois rímel,um hidratante e um jogo de panelas Tefal com anti-aderente. Tava no saldo positivo.
Tudo corria às mil maravilhas: muito pobre engasgado, muita dentadura com moldura de farofa nos incisivos, muita alça de soutien saindo pelas laterais das camisetas baby-look com estampa de smilinguido e etiqueta da citycol... quando de repente...PÁ PÁ PÁ PÁ.
Escuta-se ao longe: FECHA TUDO E SE ESCONDE GENTE!!! US ÔMI TAUM INVADINU O MORRU!!!!!
Fiquei violácea, flatulente e mórbida.
A velha do cateterismo deu um duplo carpado e foi parar no banheiro que, a essa altura, já estava mais cheio que festa de macumba em dia de Cosme e Damião.
As irmãs hipopótamas fizeram "super gêmeas-ativar", tomaram forma de estalactites invisíveis de Júpiter e sumiram do mapa. Os meninos que serviam a cerveja mimetizaram-se com o muro de chapisco e nem rastro deixaram no recinto.
Permaneci cardinal, estóica e perene. Eu, no centro daquele lugar fétido, segurando minha bolsa de couro de preá da Venezuela, minhas revistinhas de encomendas e um copo gorduroso de Cintra quente.
O pá pá pá continuou percussivo e inquisidor pela comunidade.
Quando eu já aceitava minha morte como certa, o portãozinho com adesivo de SÓ JESUS TIRA EXU CAVEIRA DAS PESSOAS se abriu e dois policiais de roupa camuflada em azul escuro cheirando a Rexona Male me tomaram nos braços e me perguntaram o que eu tava fazendo na casa das gordas do haxixe.
Gente... Eu mijei seven up. Fiquei oxiúrica e reverberante. Sargento Lúcio e Cabo Ximenes me olhavam com cara de lobos vorazes, viris e varonis.
Entumecida, fluidificada, com meus olhinhos de dríade chupadeira, os convenci de que só estava ali pra conseguir uma saia rodada e pra vender uns produtinhos inocentes.
Certa de que sairia na capa do Meia-hora no dia seguinte ,consegui deles uma carona até a Central. Cabo Ximenes ainda me pagou um joelho e um suco de cajú.
Sou feliz assim.
Suja e bela.
Bjus onde o feijãozinho cresce.

domingo, 23 de agosto de 2009

ATCHINNNNNNNNNNNNNNNNNN!!!!!! MEU COOL!!!

Filhotinhos e filhotinhas da titia.... Algo de digno, impoluto e parapsicológico tem que ser feito com celeridade e fofura... Eu sou um semi-travesti imbuído de dignidade, pompa e circunstância, apesar da unha do pé precisar de um retoque, porque as dezesseis demãos de café com rebú já viraram craquelê de artesanato da feirinha de Itaipava.
Sou limpa, higiênica, quase impoluta. Me cuido, me trato, tenho valores íntegros. Só chupo de olho aberto e com gloss sem cor... Não deixo marca de unha.
Sou alguém que tem, como esteio comportamental, exemplos de uma família muito centrada que sempre me passou referências de cidadania e amor ao próximo de dentro de suas celas em presídio de segurança máxima. Sou dessas, fichada no pré Natal.
Estou contando isso tudo, porque a mágoa que habita meu coração está dilscerando os meus sentimentos nobres e enlevados. É muito triste você ser preta, pobre e bicha num país excludente como o nosso. Eu ainda tenho um peito só de hormônio, de menina-moça, de bico sensível e bojo delicado. Mas é um só. Sou macumbeira, tenho uma tatuagem de PUCCA feita com ácido de castanha de cajú e tinta de caneta bic. E estou com o nome sujo no Serasa e SPC.
Além disso, fui diagnosticada essa semana como portadora do vírus da gripe suína.
Gente... Raciocina comigo:
Cadê a febre do alce albino? Cadê a sífiles da lontra do Himalaia? Cadê a caxumba do tigre de bengala? Cadê a azia da Ave-do-paraíso????
Por que só granja dá doença? Por que só bicho-xingamento batiza doença? Por que minhas células tratadas a Coristina D, elixir de inhame, Nívea Balsam e Óleo Paixão tem que ser invadidas por essas doenças de bichos desmoralizantes?
Fico Gôlgica. Fico mitocôndrica. Fico desoxirribonucleica.
Um dia, tu ta ferrada pela FEBRE DA GALINHA e sai se desfazendo em nugget por aí. Depois vem a DOENÇA DA VACA LOUCA e tu não podia mais comer carne, por correr o risco de sair por aí esfregando o períneo no gelo-baiano, mugir pra hidrante e gritar ME POSSUA pra bonecos sacolejantes de posto de gasolina.
To puta, to baixa (gastei quatro reais no resfenol, compraria um trident e um chope com esse dinheiro), puta, rebuliçosa e aspartâmica.
Eu luto pela glamourização das enfermidades. Preciso agregar valores às minhas mazelas.
Estou aqui com uma febre que me faz sentir uma cafeteira, a cada hora que faço um xixizinho. Meu nariz parece uma daquelas fontes infernais que vendem no mundo verde.
E meu namorado judeu não me come, porque bicha com gripe do porco não é koscher...
Vamos fazer alguma coisa BRASIL!!! Vamos dar as mãos, vamos nos unir e depois nos limpar com álcool gel (com que faço uma ótima caipirinha de Frisco sabor tamarino).
Febril, fóbica, ebulínica, penso em me rasgar inteira e me trasnformar em origamis, mas o medo de me desfazerem em folhas de almaço e me trasnformarem em forro de gaiola do Mercadão de Madureira me mantém a aceitação dessa encarnação num corpo que hoje me faz sentir como se fora o sub nitrato do pó de merda da mosca do cocô do burrinho que carregou a parteira da dona de puteiro que alimentou o cavalo do bandido com capim roubado de acampamento do povo do MOVIMENTO DOS SEM TERRA.

Merecemos mais. Eu mereço.
Sem mais por hora, vou ali tossir um paio Seara e depois dormir rapunzélica,afrodítica e macambúzia.....
Beijos nos monossílabos tõnicos que rimam com TU....

quarta-feira, 10 de junho de 2009

SALVE OGUM!



Ai!!! Filhotinhos e filhotinhas!!














arrasada, destruída, moída, multi-processada e transformada em recheio de pastel de quermesse de ONG pra ajudar menores infratoras lésbicas cantoras de MPB .
Nesse fim de semana, fui a festa no centro de macumba de minha amiga Greta de Ogum em Buaçú, São Gonçalo. No meio dos acontecimentos macumbais, algo inusitado ocorreu.
Eu já tinha saído de casa meio jurubeba do norte depois da seca: equivocada e intuitiva.
Tudo deu errado.
O Garnier Fruicts tava aguado, não tinha mais comida no armário e a Casa-do-biscoito estava fechada. Não pude comprar o biscoito Muleka a três por R$1,00.
Antes de pegar o onibus, li o salmo 66 vinte e uma vezes pra aliviar meu carma.
Na viagem percebi que havia vida em meu ventre. Como viado só tem filho quando adota sobrinho e minha verminose estava controlada com doses cavalares de pantelmin, eu, brilhantemente, deduzi que estava grávida de uma caganeira de proporções momescas. Me tranquei toda, fiz mantras, respirei fundo... Nada feito.
Um pouco antes da subida da ponte RIO-NITERÓI, saltei do ônibus e, numa coreografia de Débora Colker com talidomida, me enfiei debaixo de um vão da pré-ponte. E abortei minha prole amulatada.
Aliviada, esvaziada e longelínea, me borrifei com um genérico da Victoria Secret e embarquei em meu onibus, singela e ecoante.
Cheguei no terreiro de Greta e tinha mais gente feia que o elenco de figurantes da VOLTA DOS MORTOS VIVOS.
Muita cerveja e churrasco de chã.
O povo veio em bando garantir o almoço do sábado, e como carne é difícil de digerir, já garantiram também o fastio do café da manhã de domingo.
A festa tava animada.
Muito batuque, muita incorporação,muita fila pra ir ao banheiro, muito cheiro de BIOGRAFIA,KAIAK E TABU DE DANA... Uma loucura. O inferno era mais singelo.
As 22:17, já cansada de tanto esperar pela apresentação do Orixá que ali estava sendo apresentado, eu decidi pegar meu rumo, mesmo porque a van acabava as 23:00h.
Quando estava levantando, olhei pro centro do terreiro e vi Greta se debatendo num festival de mediunidade e canalização. Emitia sons guturais e tinha os olhos revirados num êxtase de calor na beirola. Todos os macumbantes presentes gritavam o nome de Ogum. Greta urrava numa língua primitiva. Eu me arrepiava e me emocionava com tanto poder, luz e fé. Algo mágico acontecia.
Já tinha visto minha amiga receber sua entidade várias vezes. Na grande maioria era só palhaçada, mas naquele dia, ela era a própria encarnação de um afro x-men.
Danilinho de Oxossi, o filho de santo mais velho da casa, veio elegante, elevado, e etéreo levar Greta pro roncó. Os gritos de salve Ogum se intensificavam e uma emoção febril, feérica e luxuriante tomava conta do lugar. Danilinho ficou uns dez minutos lá dentro e voltou com lágrimas de emoção. Falou que a entidade estava plena e forte, e que Greta estava até com o rosto diferente, com uma cor diferente, tamanha era a força do ser que canalizava.
Batucou uma eternidade.
Horas depois, voltou ao quartinho pra tirar Greta de seu transe, que durava mais que o previsto, e já era o momento dos ogãs presentes cumprirem turno no pagode do JOANETE COM BAND-AID.
Dito e feito: Danilinho abriu a porta e encontrou Greta, minha amiga, deitada e quietinha em estado defuntício: morta.
Macumba
de edi é rola.
A bichinha tava incorporada de uma isquemia cerebral.
Ainda passei batom na defunta.
Dormi num quartinho com uma estátua de pomba gira idêntica a Lecy Brandão maquiada.
E
a tarde, estava num cemitério do outro lado da ponte.
Vida de semi-travesti é puxada....
Volto em breve.
Beijos de luto.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

ESCLARECENDO PRAS AMIGUXETES QUE PARARAM DE LER NA TERCEIRA PÁGINA DE "REINAÇÕES DE NARIZINHO"


Eu,enquanto afro-guéia defendo todas as minhas classes e sindicatos:Sou guéia.Homossequiçiéia e afro -neguinha de cabelo duro com todo orgulho. ( Apesar de que, na hora da fome, troco meu orgulho todo por um pacote de cream cracker)


AGORA: Se alguma bee nessa terra de-meu-deus disser pra mim que nunca passou por uma tramóia feita por uma bee pseudo- amiga eu dou dez kits natura amazonia por seis meses pra ela. Vai ficar tão hidratada perfumada que se passar por uma loja de sucos vira vitamina.


Se alguma bee nunca viu uma bee riquinha falando mal de uma bee pobrinha só por ela não estar com a roupinha indicada pela VOGUE VIP me avisa que eu dou meu rim e toda linha fresh-wet-wood da JEQUITI.]






ESSE POVO QUE SÓ CONSEGUE LER NICK DE MSN ME CANSA.....






Bjus filhotinhos e filhotinhas. Seguidores do titio titia que meenchem de orgulho e encomendas.






p.s: não vou ficar me explicando toda vez que alguma burra fugir do pasto.Qualquer coisa procurem o gaspareto.O padre uevedo ou a MÁRCIA.


Bjus no úmero
p.ps.: é preciso muito peito pra ser uma bicha de um peito só.
Me deixem em paz ou eu faço macumba no cemitério.aahahahahha