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sábado, 8 de maio de 2010

MELHORA ESSA CARA STEPHANY! EU HEIN...




Filhotinhos e filhotinhas, coisas ricas dessa semi-travesti que vos escreve.
Vim aqui em missão de solidariedade com a moça Stephany.
Eu sou assim: beneficente, altruísta e desprendida. Sofro com os outros. Sofro mas rio, porque não estou morta.
Há nesse barraco internacional uma lição muito preponderante, hermética e semiótica: PRESTEM ATENÇÃO NOS APELIDOS DAQUELES COM QUEM VOCÊS PRETENDEM CHACOALHAR AS BEICINHAS UMEDECIDAS DE SUAS ESCAVURSCAS ESFOMEADAS.
Pensem muito antes de se doarem a alguém que porventura tenha algum apelido duvidoso. Levantem o histórico, investiguem os nick names de seus amados.
Uma vez conheci um moço muito bonito conhecido por QUEIJINHO. Achava que era uma preferência por aquela especialidade de laticínio. Descobri a verdade no dia em que tirei pela primeira vez (e última) sua cueca zorba. Minhas narinas foram violentadas por um putrefato aroma de ROQUEFORT esquecido no armário. Doeu... Morri em vida.
Não precisa ser nenhum mestre JEDI para saber que a única coisa que um PATO faz na vida é cagar e andar. Mais nada. Nem voar, pato voa. É uma galinha nadadora que anda com aquela bunda pesada espalhando chuca condensada pelo campo.
Fiquei com peninha da moça... Tão singela, tão pudica, tão frugal...
Foi pra Itália atrás de uma ave aquática comedora de girino e miolo de pão.
Poxa fia, que burrice! Seu desejo era conhecer a botinha do continente Europeu?
Marcos Paulo te levaria feliz pra comer um tiramissu em Roma.
Daniel Filho te daria várias moedas pra jogar na Fontana de Trevi.
E a mocinha ainda poderia, na volta protagonizar uma novela das oito ou participar de um filme sobre a vida de algum médium pop-star.
Se é alguma vocação camponesa era só pedir uma estada em A FAZENDA.
Agora, até pra ser figurante de "O mistério de feiurinha parte 3" ta difícil... Tem que esperar na fila atrás de muito ex-bbb com técnicas tântricas dramatúrgicas capazes de fazer caldeirão sem fundo ferver em camadas borbulhantes de KY sabor angú-a-baiana.
Fico contrita, estapafúrdica e violácea de pena da coitadinha.
Fica o conselho:
Jogador de futebol se divide em "micados,fazedores de merda" de um lado e "crentes, rola cansada" do outro.
Adoro dinheiro mas corro dos dois tipos.
E mais... Na hora de escolher uma ave, prefira o ganso. Gansos são viris, defendem território.
E no quesito metáfora, tem sempre a idílica vantagem de serem ótimos pra serem afogados e
esquentarem as paredes do útero.
Se o fetiche for uma coisa Disney, esqueça o pato Donald e opte pelo PLUTO. Além de fiel como todo cão, é super bem relacionado com o Mickey (que é dono daquilo tudo) e vai adorar te tratar como cachorra, caso você sinta alguma defasagem kundalínica.
Por enquanto aproveite, que comida italiana alarga o quadril e vira o rabo pra estrela de Belém pra ver se consegue pelo menos uma SEXY ou uma PRIVATE.
Na pior das hipóteses, compra um cross-fox e faça shows cover de sua xará.
Aguarde que tudo vai melhorar. Minhas chapinhas de caracú alafiaram pra senhora.
Beijos em todos naquele cantinho onde o vodol não chega.


Meu melhor quá quá pra todos.

domingo, 14 de março de 2010

40 ANOS DE SHARLÚCIA CREME CRÁQUER - PARTE 2


ÓDIO PRIMITIVO.
(continuãção)
Eu, Maurinho e Sheila irmã de Selma nos arrumamos com roupas sóbrias e evitamos acessórios chamativos. Maurinho tava até parecendo um bofinho daqueles que trabalham como empacotadores do REDE ECONOMIA. Mas sua bicha interiorizada era tão discreta quanto orgasmo de sapatão fã de axé-music - pesquisem e entenderão.ahahah)

Selma colocou um conjuntinho de viscose, prendeu o cabelo acajú-purpura num coque que amarrou com uma xuxa esgarçada cor de rabo de poodle bege e eu, que não conseguia parecer homem nem se me disfarçasse de negrinho-do-pastoreio-em-dia-de-recenseamento-na-senzala, optei por um terninho DEMOSELLE MODAS, presente de minha ex-patroa Jussara do 903.

Assim que nos aprontamos chamamos a van e nos dirigimos a festa-culto de Shashá...

Antes, nós tres passamos na lanchonete X-TUDO DE PAQUETÁ,na casa de macumba EBÓ SALIENTE, na birosca do TIÃO MELECA e antes de embarcarmos demos alguns telefonemas decisivos a nossa perfomance.

De Paquetá até a PRIMEIRA IGREJA DEUTERONOMICA JESSÉLICA DE ANCHIETA demoramos quatro horas e vinte e seis minutos. Meus dan-regularys estavam provocando uma verdadeira festa-rave dentro de mim e se me arrolhassem por 40 minutos eu voltava pra casa voando de tantos gases acumulados. E ainda sobraria CO2 suficiente pra fazer uma varredura à ar na Praia da Moreninha.

Chegamos intestínicos, clamídicos e giárdicos e colocamos bíblias debaixo do braço pra podermos entrar na festa-culto sem sermos barrados. Afinal todos os irmãos em CRISTO eram bem-vindos. Ja eram onze e quinze da manhã. O horário previsto pro início era as nove. Estavamos atrasados mas nossa entrada não foi muito notada graças a pregação intensa do pastor vigente que a cada ALELUIA mostrava um dentadura frouxa que soltava no A, quicava no LE e tremia loucamente até voltar no fim do LUIA. Dei uma olhada no elenco e além da enorme quantidade de desconhecidos famélicos - (festa de crente não tem comida,só guaraná e um bolo do Guanabara no final, quando tem - quem discordar que me convide pra um rega-bofe-aleluia daqueles com direito a levar farnel pra casa.) - percebi os nossos amigos que foram convidados num figurino feito com sobra de tafetá de forro de saia de porta bandeira do bloco " DOU MEU RETO NA CURVA". Os homens estavam com ternos que usaram em suas primeiras comunhões - o do marido de Selminha Bole-Bole tava tão apertado que de longe ele pareceia um olho de sogra ladeado por abas de ameixa representados por um brin "azul ematoma" do paletó com um recheio de banha transbordando por baixo da camisa de tergal da IMPECÁVEL MARÉ MANSA. Fiquei alfaiática, hipoglicêmica e passa-mariânica.

O lugar era um imenso salão (mentira - um furico de preá. Mínimo.) com 60 cadeiras. Todas ocupadas e com mais umas 20 pessoas em pé e alguns obreiros ao redor pra assegurar o "DAS CRIANÇAS" na hora do ofertório. Na frente um palquinho com um tecladista deficiente visual, um pulpito improvisado pro pastor falar num microfone de videoke e algumas cadeiras onde estavam sentados a aniversariante e seu marido e mais um casal que intuí serem os pais do namorado de Shashá. Uma cadeira estava vazia mas tinha um papel com um nome: PASTOR HERMINIO FILHO.

SHASHÁ tava com os olhinhos indóceis e quando nos viu balbuciou um TÁ AMARRADO que de tão forte suspendeu minha eminente caganeira. Fiquei grata e sequinha. O tal namorado/marido nos olhava com uma cara reprovadora mas só nos davamos o trabalho de retocar o gloss e esperavamos nervosas que nossos telefones vibrassem nas bolsas.

Enfim isso aconteceu: Depois de mais duas horas de muito salmo e nenhum copo d´água pra enganar a fome, nossos telefones tocaram . Era o resto dos renegados da festa que chegavam pra formar o bonde ... Atendi, e bem baixinho mandei eles entrarem e a ultima fila parecia dia de vacinação de penitenciária. Selminha de Omolu chegou com quatro equédis e dois ogãs (ou é OGAN ???Tinham que fazer reforma ortográfica na minha cabeça moldada pela cartilha da Talita) Ao lado deles TREMOÇO ,que havia conseguido o salão pra festa que faríamos originalmente, estava com uma camisa escrito ONDE ANDARÁ LÍDIA BRONDI e uma calça de micro-fibra que lhe marcava a masculinidade de tal forma que parecia que guardava 3 ovos de páscoa da DIZZIOLLI em seu bolso (fiquei tão feminilizada ante a visão que se minha mono-teta fosse um animal seria uma foca circense equilibrando um globo terrestre pegando fogo). MC BRONHA NERVOSA também estava com o grupo e afora o ZÉ PLINTRA tatuado no braço esquerdo ,estaria até discreto.


Todos haviam chegado. Seguindo nosso plano era hora de iniciarmos nossas atividades. Mas nos faltava uma deixa. E eis que por obra do destino o pastor quis falar sobre as maravilhas de se ter uma família digna e unida no amor em Cristo e pra isso chamou ao pulpito seu filho, aquele cujo nome enfeitava a cadeira de plástico vazia. De uma porta lateral ao palco surgiu um moreno espadaúdo, ombros largos, sorriso generoso, mala bem nutrida, pé grande mão boa de dar chapuletada em quengo de bicha pedinte, bem vestido com um terno feito de tecido bom, provavelmente compado na RIACHULELO. Olhei praquele espécime no auge de sua capacidade reprodutiva e fiquei tão úmida que se naquele momento minha calcinha reproduzisse uma paisagem eu estaria estampada de FOZ DO IGUAÇU. Me batia tanto nas partes onde só o dermacyd chega que parecia que subiria o Curuzú de joelhos. Fiquei olodúnica,afrorréguica e percussiva.
Mas quando ele pegou o microfone e falou BOA TARDE IRMÃOS EM CRISTO meu duodeno e meu unico seio feminino entraram em alerta. Algo em mim reconhecia aquele homem. E esse algo era escuro,quentinho e mais rodado que Chevete 76. Fiquei maquinando, remoendo meus pensamentos até que ele bateu com as mãos num clamor santo e todo um download se fez. Peidei morninho de alegria ao concluir meu raciocínio. PASTOR HERMINIO FILHO era o recém convertido MINICO DE OGUM, ex-ogã de Selminha que costumava nos alegrar com brincadeirinhas lúdicas de "seu pipi-no-nosso-popo-e-adjacencia" em troca de um marlboro light, um sanduíche de queijo prato, uma trouxa de roupa lavada... Mas lembro de sua generosidade nos preenchendo as sem-vergonhices só pra esperar a hora do jogo. Fofíssimo.

Eu e Selminha e todos os outros macumbeiros nos arrepiamos. Um sinal divino nos foi dado. Era hora de começar a agir. Sheila, Maurinho e eu nos olhamos cumplices, tácitos e malévolos e numa coreografia que deixaria DEBORA COLKER parecendo um semi-círculo recheado de angu, abrimos nossas bolsas e puxamos ,cada um, um EGG-X-BACON da X-tudo de Paquetá. Assim que abrimos o pacotinho do sanduíche o cheiro se espalhou pelo salão e um rumor angustiante tomou conta do lugar. Sharlucia olhou pra nós e falou TA AMARRADO 10 vezes. Dessa vez nem difarçou e falou alto. Seu marido tomou-se de uma raiva louca e desceu até nós e nos ameaçou de expulsão. mas as equédis cínicas simularam um choro e disseram que queriam ouvir as palavras do senhor. A platéia faminta se solidarizou e KLEBER SERENO ficou com a cara no chão, humilhado, febril e vingativo.


Sharlucia também desceu pra falar com a gente. No começo estava agressiva e autoritária. Aí foi a vez da segunda parte do plano. Abri minha bolsa e bem pertinho de SHASHÁ puxei uma latinha de skol quente e abri. O barulhinho da lata se abrindo e o cheiro da cerveja, que quente se espalha mais rápido que murrinha de mortadela pegou SHARLÚCIA em cheio. Seus olhos currupiaram pelas órbitas. Sua aura se turvou a um ponto que ela parecia cercada por um halo de toddynho. Sentiu uma imensa crise de abstinecia do cheiro de esmalte vermelho-endometriose que usava nas suas tardes de caridade no canjerê de Selma.


La no pulpito , MINITO começou a pregar sobre os males da sociedade corrompida pelos vícios e pelo homossexulismo até que a nuvem de odor de skol passou por seu nariz abstemio e ele deu um rodopio daqueles dignos de labirintite de ex-chacrete. Seus olhos semi-cerraram e ele fez um bico do tamanho da proa de uma escuna de festa de são josé dos navegantes.


Sharlucia não conseguia mais subir de volta. Ficava num misto de transe medúnico com hipoglicemia. Kleber (aquele que a comia) pediu guaraná pra ela não desmaiar. A palavra guaraná provocou um pandemonio sem precedentes. As pessoas se tremiam e se esbugalhavam como peixinhos de vala sentindo a presença de um pedaço de miolo de pão. Puxamos duas coxinhas de galinha da bolsa e jogamos no meio do salão. Não vou falar que a Igreja virou PORTO PRÍNCIPE porque com certas coisas não se brinca. Seria muita grosseria e falta de amor ao próximo dizer que aquelas pessoas famintas se aglomerando e se estapeando por uma coxinha de galinha parecia com PORTO PRICIPE PÓS TERREMOTO. Só muita falta de noção humanitária faria alguém comparar aquela situação com o fragelo de PORTO PRÍNCIPE. Por isso não farei isso. Usem a imaginação.


Nossos amigos que tinham sido convidados ja estavam nos oferecendo oito reais pela latinha quente. Tião Meleca nos vendeu catorze, e como bebemos oito no caminho ainda sobravam seis pra vendermos. O efeito da cerveja quente no sangue de pessoas de estomago vazio que tinham passado horas repetindo ALELUIAS e GLÓRIA A DEUS foi devastador... KATIA DO 51 e seu marido ja estavam sem sapato e diziam bem alto que iam sair dali e iam curtir uma night num clube de swing. Sharlucia tentava se manter fiel aos principios novos mas ja estava querendo tirar o sutiã e não tirava os olhos da calça de TREMOÇO. Os irmãos dela ja estavam misturando perfume com guaraná e vendiam o que chamava de arrebite perfumado por dois aqués. Seus pais ligavam pro disk-carne-de-sol Anchieta express e Minico ja estava com seu medalhão de SÃO JORGE pra fora.


Quando olhei praquela medalha fui tomada por uma força sobrenatural e fixei meus olhos em Sharlucia e, vingativa,cruel e setentrional disse: AMIGA PIRANHA MORRE JUNTO NA BOCA DO JACARÉ. Sharlucia que ja estava com a calcinha na cabeça bebendo um desodorante roll-on ainda pediu perdão mas eu estava maquiavélica. Puxei da minha bolsa o CD PADILHA E TRANCA-RUA LOVE DUETS (que compramos na EBÓ SALIENTE) e joguei pro BRONHA NERVOSA que colocou pra tocar em alto som no seu fiat uno envenenado. Foi meu golpe de misericórdia.


Aos primeiros acordes de VINHA CAMINHANDO A PÉ PARA VER SE ENCONTRAVA A MINHA CIGANA DE FÉ... Selminha e sua trupe começaram a cantar aos berros e Sharlucia ali mesmo incorporou e gritou: QUERO UM PERNA DE CALÇAAAAAAAAAAAA. BÁ NOITCHY MOÇOOOOOOOO.ME CHUPAAAAAAAAAA. O pastor e seus discipulos correram mais que operário de metalúrgica com medo de perder o ultimo ônibus. Kleber ainda tentava agarrar sua amada mas ela tava mais forte que a She-ha e só pensava em pito e marafo. Desistiu e foi embora jurando vingança, abandonando Sharlúcia dançando e rodando em ritmo de festa.


Minico ja tava sem terno e batucando com duas garrafas pet vazias de guaraná convenção numa cadeira de cabeça pra baixo.


Os parentes de Sharlucia ,nós e os amigos convidados fizemos uma vaquinha e contratamos um micro-onibus pra nos levar a Paquetá;


A amizade não é mais a mesma mas a gente se entende....


Fica a lição BIXA VINGATIVA É QUE NEM CU DE TOP MODEL: PODE DEMORAR E NÃO SER NOTADO, MAS SEMPRE FAZ MERDA.





Termino aqui. Poética, apolínea e metaforizada.





beijinhos aonde sobram gotinhas

sábado, 2 de janeiro de 2010

40 ANOS DE SHARLÚCIA CREME CRÁQUER. PARTE 1


Filhotinhos e filhotinhas....

Dia 28 de novembro passado foi o dia do acontecimento que vai ficar nos anais, nos orais, nos setentrionais da História : FESTA DE 40 ANOS DE MINHA AMIGA SHARLÚCIA CREME CRÁQUER ( a gente escreve assim porque somos dessas).

Desde setembro de 2007 eu, Selinha bóle bóle, Kátia do 51, Sheila irmã de Selma, Maurinho boca-de-bueiro e a própia Shashá estávamos fazendo salgadinhos e estocando no freezer da associação de moradores de Paquetá, pra ja deixar garantida a abundância de bilisquetes do evento.

Eu era a encarregada das coxinhas e do folheado de ameixa com bacon - festa de pobre sem essas guloseimas é que nem puteiro sem chuveiro: " de quinta" .

Sharlucia sempre foi " que nem nós" : galinha e equivocada. Sempre roubou Bis nas Lojas Americanas, sempre se embebedou em festas infantis e terminava, nua, abraçada com o recreador, gritando " me chama de gaveta e me abre me fecha e me desarruma toda". Sempre ajeitou a calcinha esgarçada que sismava em desaparecer pelas suas dobras de mulata bunduda. Sempre foi suja, serelepe e solidária.

Sharlúcia foi a primeira de nós a fazer um aborto (mesmo porque eu só posso ter algo parecido com gravidez quando misturo caldo de cana quente com sopa de siri ). Sharlúcia foi a primeira de nós a ter seu nome num B.O. . Sharlucia foi a primeira a colocar piercing no umbigo. Sharlúcia foi a primeira a refazer o umbigo depois de nossa participação em uma suruba de fetichistas. Sharlucia foi a primeira de nós a fazer sexo pago. No caso, o preço era um esmalte colorama rosa-crepúsculo,um frasco de acetona e um pau-de-laranjeira. O algodão quem conseguiu fui eu em troca de manuseios na virilidade alheia. Gostou??? Isso foi quase Sabrina. Foi quase Júlia. Quase Bianca - Um dia conto pra voces o que fiz pra conseguir meu primeiro três em um da CCE - Achava o da sony muito melhor mas ainda não tinha descoberto o listerine na época e sentia certos nojos. Ui...metafórica eu....

Em Maio de 2009 Sharlucia nos avisou que estava de namoro com o 401 ( a gente nomeia nossos bofes pelo número dos prédios em que trabalham). Kleber Sereno era o nome dele.

Sharlúcia tava toda mulher. Toda úmida, feminina e adjacente. Uma verdadeira bandeja de danoninho: doce ,cremosa e baratinha.

Ficamos felizes,audazes, plenilúnicas com nossa amiga. Quando puta namora os anjos dançam lambada. È babado certo no céu.

Uma loucura. Namoro super chique. Kleber fez até crediário pra comprar um Lap top da Xuxa pra Shashá que era mais analfabeta que porquinho da ìndia de barraca de "onde entrar leva o premio " de festa Junina de Mallet.

Shasha evoluiu. Aprendeu a fazer a cuirva do "o", a perninha do "erre", ler de carreirinha e sabe tudo sobre a banheirinha da Polly, a casa de praia da Polly, a pet shop da Polly, a clínica de reabilitação da Polly . Fofa, lúdica e inefável.

Ela sabia que estávamos animados com sua festa de 40 anos e que já tinha até salão alugado graças ao auxílio do TREMOÇO rapaz de boa índole que acredito ser dentista de tanto que me falam que ele trabalha em boca. Sou assim serena ,lírica e sonsa - porque quem morreu foi Joana D´arc. Eu to viva e de queimada só tenho a biografia.

Tava tudo organizado. Tudo lindo. Tudo afro-brasileiramente organizado . Até show do MC BRONHA NERVOSA a gente conseguiu na camaradagem. E cade Sharlúcia??? Sumiu...Desapareceu....Tornou-se uma nódoa lacustre em nossas memórias. Nem os búzios de Selminha de Omolu deram notícias da amapoa...

Até que no dia fatídico de 22 de outubro desse ano, meus amigos todos receberam um convite com uma imagem de JESUS CRISTO, mas como se Ele tivesse ascendencia Austríaca e fizesse a barba no Jassa. O cartão continha esses dizeres impressos entre trigos dourados de uma cafonice maior que mensagem de feliz ano novo em show do Elymar Santos : "IRMÃOS EM CRISTO. HA 40 ANOS ATRÁS JESUS DERRAMOU SUAS BENÇÃOS SOBRE A TERRA NA FORMA DE SHARLÚCIA PENHA SILVA MORAES,MINHA ESPOSA. VENHA COMEMORAR CONOSCO ESSA BENÇÃO COM UM CULTO DE LOUVOR AO NOSSO DEUS DE MARAVILHAS. DEPOIS VOCE E SUA FAMÍLIA ESTA CONVIDADO (assim mesmo, sem plural - Nota do Autor)A COMER UM BOLO COM A ANIVERSARIANTE E NOSSA FAMÍLIA. DEUS É DEZ".

Fofinhos da titia...Eu me mijei toda...Toda...Meu emplasto sabiá ficou parecendo refugo de enchente...SHARLÚCIA MACHADO (não podia ver pau sem derrubar) virara (adoro) "do Senhor".

Passado o trauma da revelação percebi que eu não recebera o convite. Nem eu, nem Maurinho boca de Bueiro, nem Sheila irmã de Selma. As duas bichas e a piranha mãe-de-santo foram excluídas....Sofremos dias. Choramos lembrando as tardes que passamos amassando salgadinhos, fedendo a caldo knorr e com o cabelo cheio de farinha... Foi muito difícil pra gente. Mas tomamos uma decisão firme: IRÍAMOS A FESTA. E MOSTRARÍAMOS NOSSO PODER SUPER LATRINA. Porque se tem coisa que não existe é ex-puta e ex-viado. É tudo falta de alcool no sangue...

O barraco tava armado.


(continua.....)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


Saravá meu povo fofo. Coisas bruzunguinhas da titia.
To toda assada. Tenho tanta areia dentro da calcinha que to com medo de peidar uma ampulheta.
Passei meu reveillon no Piscinão de Ramos, preciso dizer mais alguma coisa??? Gente.....Não quero ser preconceituosa ou parecer que tenho complexo de superioridade mas só vi tanta gente feia junta, assim, na fila de cadastro pra fazer figuração do vídeo da campanha eleitoral do falecido deputado ALBANO REIS. O povo se esmerou. Deram o melhor de si. Tanta gente sem dente...O povo abria a boca e era aquele vácuo infindo...Depois que eles começaram a se comunicar entendi tudo: Era um tal de MINHAS FILHA, MINHAS SIDRA, MEUS AMÔ, MUITAS FELICIDADE.... O povo perdeu os dentes mastigando os "S" dos plurais. Fiquei odontológica,aurélica e singulística. Descobri que uma ONG chamada PELO DIREITO DO GONGADO tinha levado alguns de seus associados pra visitar o piscinão.Numa tentativa de inclusão social,sociabiliação de excluídos...essas coisas de gente que gosta de aparecer bem na foto do jornal de bairros. chatos...
É muito difícil ,pra mim, com minha beleza de semi-travesti com um seio só encarar a feiúra alheia. Sempre fui elogiada pelo meu cabelo sem viço.Sempre chamei atenção pela minha sensualidade brejeira ilustrada pelas minhas cicatrizes de mordida de mosquito e furúnculos. sempre fui um parametro de "como-se-deve-ser" de "como-se-deve-agir" .
Ainda bem que esse povo uó voltou pras tocas antes das onze horas. Tinham que assistir ao SHOW DA VIRADA com uma garrafa de xiboquinha na mão . Simpatia aprendida num progrma popular de rádio que garantia sucesso e prosperidade. Tá bom....Adoirei porque sobrou um elenco altamente investível.Gente da melhor qualidade. Trabalhados no REXONA e com o polvilho bombando nas dobrinhas pra evitar o aroma de panetone velho. Afinal ser pobre e feio é karma mas ser relaxado é falta de vergonha no forévis e de consultora Jequiti.
As 23:30 chegou um grupo de pagode de OLARIA chamado NEGADA PEGANDO FIRME. Gente....Fiquei étnica, famélica e sangüisedenta com o elenco de bofes bem alimentados da região. Todos com aquelas bermudinhas "pega-ma-pelanca" e com umas camisas "se-me-chupam-pago-um-bob´s ". Tremi que nem cu-de-pinto ,que nem bambuzal sob o vento noroeste. Ramos é tudo gente...Ramos é luz gente ( mas que nesse reveillon tinha um elenco puixado,isso tinha. Me desculpe o povo que tem acendente em DARCY RIVEIRO e que gosta de ver beleza em tudo que é rostinho sujo de terra. Quem me provar o contrário ganha um kit NATURA BEBÊ- Nem vou comentar a quantidade de cicatrizes de apendicite disfarçadas com tatuages de são jorge) . Os populares e silvículas da região são muito malemolentes, cheios de uma carioquicidade nagô que me deixa a virilha com a temperatura exata pra se fazer uma sopa de entulhos. Tem uns moreninhos tratados a geléia de mocotó que me fazem femea,me fazem gardenia,me fazem tênia. Soliun e saginata. Sou dessas.Quase uma MARMICOC que anda. Rebolando e deixando as batatas moles.
Sambei horrores. Rebolei horrores. Me insinuei horrores - e levei pandeirada horrores quando o menino do cavaco percebeu que eu estava semi-nua me jogando em cima dos percussionistas pedindo pra tocar GAROTO MAROTO. Derrota....mas gostei das pandeiradas. Foram mimosas. nem fiquei roxa....Se bem que, da minha cor, se ficasse roxa seria gangrena. Dei9xei de ser branca pra ser franca.
Festa família...Todo mundo com suas roupas brancas....A praia era uma brancura só...Parecia um grande depósito de velas de sete dias. Achei deja vu essa tendencia monocromática. Fui de bata esvoaçante vermelha e quem me via de longe parecia estar presenciando uma cereja epilética no meio do açucareiro. Fiquei rubra,rosa e nacarada. Eu de branco pareço uma hipopotoma mono-teta em festa em boca-de-fumo.
Bebi tanta Sidra Cereser e comi tanto pernil com pão que meu arroto ta com cheiro de uma mistura de bonzo com garnier fruicts.
Só não fiquei mais bêbada porque tive uma crise de labirintite acompanhando o circular infindo do barquinho que minha amiga Glória de Vista Alegre insistiu em oferecer pra Iemanjá dentro do piscinão. Imagina gente....Barquinho no piscinão??? Arrumou briga com Iemanjá pra vida toda...Já saiu de lá com trombose e clamídia.
To passando rápido pra desejar feliz Ano-novo pra voces. To devendo atualizações no meu diário...Aguarde a minha aventura no MANHUNT e os 40 anos de SORAYA-MORDE-SACO.
aAmo voces...To cansada...Cheguei da rua agora e ainda tenho que chamar o C.S.I. BANGU pra me ajudar a seprar o que sou eu da crosta de lama misturada com sidra e kolene que molda meu corpo.
To agreste.To cipreste. To everest.
Bjus na beirinha do suadinho.
Volto em breve falando que nem o homem da cobra. FELIZ 2010

terça-feira, 6 de outubro de 2009

LARGA DE MIM. FOREVER

Filhotinhos e filhotinhas!!

To seropédica,semi-circular e fotofóbica.

Há algo de equivocado no ciclo kármico da minha encarnação. Tudo o que faço é no mínimo surreal. Parece que Deus, na hora de me construir moldando-me do barro primordial, tinha acabado de coçar seu cu divino.

Não me chamem de herege. Aprendi desde criança que sou a imagem e semelhança Dele, portanto, já que não peido por um foco de luz violeta, devo supor que Deus tem cu.
Muito franca e honesta.

Consegui um emprego de maquiadora de atores de filme pornô através de minha amiga Dora da Croácia, cafetina de Sepetiba, que coloca umas meninas no ramo de filmes eróticos em troca de uma porcentagem bacana de cada uma que é aproveitada em alguma cena. Comprei um kit PAYOT e levei algumas amostras grátis dos produtos Jequiti e Natura que ainda me restavam. Assisti a alguns BLOCK BUSTERS do SexyHot e percebi que sombra azul, batom "Vermelho Super Chico" ,base perolada e blush rosa-antigo são uma super tendência na cinegrafia putológica. Levei um vidrinho de óleo Paixão pra deixar os pintos dos atores com aparência de bisnaguinha Seven Boys e fui, linda, me jogar na minha empreitada dermatológica.

O set de filmagem era em TINGUÁ, distrito de Nova Iguaçu. Queriam filmar na mata. O nome da película: LARGA DE MIM.

Achei prosaico,metafórico e lúdico. Pensei que era algo do tipo "pornô com história", mas a verdade, não tardou a se apresentar: um pouco afastada da área de filmagem, uma atriz que, de tanto quadril, deveria pagar IPTU ao invés de Imposto de Renda, resolveu tirar a roupa e se alongar no meio do matagal. Uma família de saguis, pensando avistar uma toca quentinha, desapareceu por dentro do canal vaginal da moça.
Fiquei póstuma, pretérita e nefelibata ao ver OITO saguizinhos SUMIREM dentro da atriz .
Foi um rebú na casa de Noca. A diva se contorcia em cócegas angustiantes e o diretor gritava de pavor, com medo de perder a luz do dia para fazer suas cenas de estética nouvelle vague, com ascendente em Cicciolina fazendo Papa-Nicolau. Os bichinhos só deram o ar da graça depois que colocaram a dita cuja arreganhada diante de um pratinho de banana amassada com Neston. Os bichinhos saíram famélicos, fotofóbicos e atordoados. O último deles carregava uma embalagem de pão Pullmann que a atriz (ui) reconheceu como o lanche que ela levara pro seu marido na ultima visita íntima e que pensava ter perdido em sua última ducha higiênica com Veja Multi-uso e Diabo Verde.

Ao perceber a naturalidade com que o fato foi encarado e ao notar que uma outra atriz chamada Tatu Malibu treinava uma dilatação com uma garrafa pet cheia de Mineirinho Diet, eu descobri que o LARGA do título do filme não era verbo e sim adjetivo.

Tremi. Oxiúrica, melômana e sonrizálica.

Mas voltando a maquiagem...

Afinal, era essa minha parte desse latifúndio. Virei pro diretor, que parecia um peixeiro velho com uma calça jeans dessas mais antigas que cantora de mpb hetero (acho que já usei essa piada), e perguntei quem eu deveria maquiar e onde faria isso. Ele me apontou três homens semi-nus que estavam debaixo de uma jaqueira e disse que podia fazer meu serviço ali mesmo.
Gente... Nunca rezei tanto. Pra cada igreja que vinha à minha mente, eu desfiava um rosário. E olha que eu já morei em Salvador e sou garota calcinha-asa-delta 87 de Ouro Preto. O mais suave deles tinha cara de quem comia criancinhas desprotegidas (gastronomicamente falando, tenha dó). Com três gotinhas de Zerocal pra manter a forma. Nele e no mais novo, eu deveria fazer uma pintura semi-indígena, semi-aboríginea, semi-fusa, semi-breve, semi-colcheia, semi-a-puta-que-me-paríngenia ( To baixa, né? Sou dessas...). Pintei os dois, enquanto o terceiro ficava me olhando debaixo da jaqueira passando, a toda hora, hidratante Monange na virilha pra deixar as dobrinhas da coxa gorda com sensação de frescor arbóreo.
O rapaz, em pauta, era amulatado e tinha as costas do tamanho de uma Cherokee. O diretor não queria que ele tivesse maquiagem indígena, mas também não poderia parecer alguém muito urbano. Tinha que disfarçar traços de civilização contemporânea e investir num look rústico-clean-Macho Alfa. O bofe tinha um Jesus Cristo e a frase O SENHOR É MEU PASTOR tatuados na omoplata esquerda. Na omoplata direita um rosto de bebê com a frase TE AMO, JÉSSICA, TEZOURO DO PAPAI (com Z mesmo, miséria pouca é bobagem).
Na base da coluna, uma cópia tosca da sagrada família, desenhada por alguém semi-cego (to investindo no SEMI hoje) e com Mal de Parkinson, completava a decoração quase eclesiástica daquele ator pornô, cujo nome artístico era GIANI BISNAGUÉTI.

Pelos atributos que eu ali via todo besuntado e lubrificado, eu o chamaria de GIANI PANETONNE.
Sou dessas: natalina, episcopal e ninfomaníaca.
Meu diretor disse que aquilo não combinava com filme pornô e que eu deveria fazer aqueles rabiscos desaparecerem.
Tremi. Ruborizei. Transcendi.
Pedi quinze minutos e, com meu orçamento parco, comprei uma bisnaga de Hipogloss, um saquinho de Nescafé e um potinho de cola plática. Misturei tudo e, Michelângela, Picássica e Di Cavalcântica, improvisei uma base terracota, que deixou as costas do cafú uma beleza de ser filmada.

Ganhei o respeito de todos. Fui feliz e maviosa e ainda convidada pra trabalhar em BÓLE NO MEU FURICO parte 4.
Felicidade total, êxtase.

Até que, depois de movimentos bruscos e contundentes, a maquiagem marrom do ator começou a derreter no meio da cena. E como vocês sabem, essa cor não fica muito bem em cenas de ousadias duodênicas....
Levei um pé na bunda em lá bemol e voltei pra casa dura, mas com o telefone do Bisnaguéti, que quer que eu faça o truque do texugo mordedor nele.

Simpatia é quase chuca.

Bjus nos acentos agudos, gente!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

PÁ PÁ PÁ PÁ PÁ


Filhotinhos e filhotinhas desta semi-travesti carioca de baixa renda, mas com vocabulário lapidado nas fornalhas de Coquetel Bronze, Prata, Ouro e Marfim da Ediouro.
Hoje venho aqui pra lhes desfiar um rosário de penas e lamúrias, tão pretérita, lacustre e parva que fico com a violência desta cidade.
E ainda querem fazer Olimpíada por aqui, gente...
Se bem que estamos treinados em corrida de obstáculos, salto sobre mendigos-dormindo-na-calçada e fuga de bala perdida.
Enfim... Vamos ao assunto, pra vocês entenderem o porquê desta minha cara toda amassada dos solavancos que levei na casa de Brígida Fofolette e Debby Rolicinha, gêmeas-travas-gordas e coordenadoras da ala das baianas da escola de samba "ALEGRETES DO JABÚ".
Sábado passado, elas fizeram um mocotó amigo pra apresentar as fantasias pra 2010. Me ligaram na sexta avisando.
E eu, que não perco uma oportunidade de vender meu JEQUETI,minha HERMES e minha NATURA, me preparei folgazã pra empreitada antropológica de visitar minhas amigas travasfantes e seus discípulos.
No dia do babado, cedinho, comecei a produção fofa que incluía calça de elástico, pra poder comer sem ter que ficar toda desbucetada, de fecho-ecláir aberto, reclamando que precisa de um Eno guaraná, pra se sentir digna.
Cheguei na festa, e a JOVELINA PÉROLA NEGRA gritava as adversidades entre legumes, numa certa feira sem-luz no meio da Pavuna.
Era tanta gente feia, que se alguém tirasse uma foto do elenco e pintasse de azul, todos achariam que se tratava de uma pintura de PICASSO feita sob efeito de uma forte crise de labirintite, daquelas bem risonhas e límpidas, como caminhar sobre paralelas numa linda manhã de setembro.
Um cachorro fedendo a chulé e duas galinhas magras completavam a fauna.
A uma certa hora, soube que o cachorro se chamava ARALHO. Brígida inflava os pulmões pra gritar, a cada vez que encontrava algum ossinho que pudesse alegrar seu bicho:
VEM CÁ ARALHO!!! DEIXA DE SER SAPECA, ARALHO! É PRA COMER! NÃO BRINCA, ARALHO!!!!
E lá vinha ele abanando seu rabinho rescendente a calcinha de mulata, depois de samba em inauguração de loja de colchão em dia de calor em Bangú.
Fiquei putrefata, totêmica e aristotélica.
As irmãs trava-rinocerontes estavam num modelito Du Loren, com penachos na cabeça e um pegnoir com a cara do Zico.
Não me perguntem por que. Deve ser quisila de Oxossi.
Brigida Fofolette era a mais bonitinha de todas e ostentava uma virilha tão depilada quanto uma casca de coco seco.
A barriga tinha tanta estria, que parecia aquelas forminhas de brigadeiro em festa de gente humilde, que vontade de chorar.
A perna com tanta micro-pereba de ácido úrico, que se ela pintasse cada uma de prateado, poderia usar como mapa de galáxias pelo Planetário nacional.
Não descreverei o resto do lay-out de Brígida, nem a singeleza de Debbynha porque... "we are the world, we are the children" e ADALAT tá difícil de achar na farmácia popular.
Uma das convidadas, uma veterana da escola de samba, cismou comigo e disse em bom vernáculo que não tinha ido com a minha cara.
Me chamou de "bicha-nega-preta do peito caolho" e ainda disse que só não me expulsava da festa de baixo de porrada, porque tinha feito cateterismo na quinta-feira e tava de preceito da Nanã Buruquê.
Tremi.
Desgraça nunca vem desgarrada e praquele encosto estar tão corajoso, é porque não devia estar sozinho.
Nunca vi pipa de papel ruim voar sem rabiola.
Almoço passou. O mocotó era uma água de chuca batizada...
Minha giárdia está de recesso até hoje.
Consegui vender dois rímel,um hidratante e um jogo de panelas Tefal com anti-aderente. Tava no saldo positivo.
Tudo corria às mil maravilhas: muito pobre engasgado, muita dentadura com moldura de farofa nos incisivos, muita alça de soutien saindo pelas laterais das camisetas baby-look com estampa de smilinguido e etiqueta da citycol... quando de repente...PÁ PÁ PÁ PÁ.
Escuta-se ao longe: FECHA TUDO E SE ESCONDE GENTE!!! US ÔMI TAUM INVADINU O MORRU!!!!!
Fiquei violácea, flatulente e mórbida.
A velha do cateterismo deu um duplo carpado e foi parar no banheiro que, a essa altura, já estava mais cheio que festa de macumba em dia de Cosme e Damião.
As irmãs hipopótamas fizeram "super gêmeas-ativar", tomaram forma de estalactites invisíveis de Júpiter e sumiram do mapa. Os meninos que serviam a cerveja mimetizaram-se com o muro de chapisco e nem rastro deixaram no recinto.
Permaneci cardinal, estóica e perene. Eu, no centro daquele lugar fétido, segurando minha bolsa de couro de preá da Venezuela, minhas revistinhas de encomendas e um copo gorduroso de Cintra quente.
O pá pá pá continuou percussivo e inquisidor pela comunidade.
Quando eu já aceitava minha morte como certa, o portãozinho com adesivo de SÓ JESUS TIRA EXU CAVEIRA DAS PESSOAS se abriu e dois policiais de roupa camuflada em azul escuro cheirando a Rexona Male me tomaram nos braços e me perguntaram o que eu tava fazendo na casa das gordas do haxixe.
Gente... Eu mijei seven up. Fiquei oxiúrica e reverberante. Sargento Lúcio e Cabo Ximenes me olhavam com cara de lobos vorazes, viris e varonis.
Entumecida, fluidificada, com meus olhinhos de dríade chupadeira, os convenci de que só estava ali pra conseguir uma saia rodada e pra vender uns produtinhos inocentes.
Certa de que sairia na capa do Meia-hora no dia seguinte ,consegui deles uma carona até a Central. Cabo Ximenes ainda me pagou um joelho e um suco de cajú.
Sou feliz assim.
Suja e bela.
Bjus onde o feijãozinho cresce.

domingo, 23 de agosto de 2009

ATCHINNNNNNNNNNNNNNNNNN!!!!!! MEU COOL!!!

Filhotinhos e filhotinhas da titia.... Algo de digno, impoluto e parapsicológico tem que ser feito com celeridade e fofura... Eu sou um semi-travesti imbuído de dignidade, pompa e circunstância, apesar da unha do pé precisar de um retoque, porque as dezesseis demãos de café com rebú já viraram craquelê de artesanato da feirinha de Itaipava.
Sou limpa, higiênica, quase impoluta. Me cuido, me trato, tenho valores íntegros. Só chupo de olho aberto e com gloss sem cor... Não deixo marca de unha.
Sou alguém que tem, como esteio comportamental, exemplos de uma família muito centrada que sempre me passou referências de cidadania e amor ao próximo de dentro de suas celas em presídio de segurança máxima. Sou dessas, fichada no pré Natal.
Estou contando isso tudo, porque a mágoa que habita meu coração está dilscerando os meus sentimentos nobres e enlevados. É muito triste você ser preta, pobre e bicha num país excludente como o nosso. Eu ainda tenho um peito só de hormônio, de menina-moça, de bico sensível e bojo delicado. Mas é um só. Sou macumbeira, tenho uma tatuagem de PUCCA feita com ácido de castanha de cajú e tinta de caneta bic. E estou com o nome sujo no Serasa e SPC.
Além disso, fui diagnosticada essa semana como portadora do vírus da gripe suína.
Gente... Raciocina comigo:
Cadê a febre do alce albino? Cadê a sífiles da lontra do Himalaia? Cadê a caxumba do tigre de bengala? Cadê a azia da Ave-do-paraíso????
Por que só granja dá doença? Por que só bicho-xingamento batiza doença? Por que minhas células tratadas a Coristina D, elixir de inhame, Nívea Balsam e Óleo Paixão tem que ser invadidas por essas doenças de bichos desmoralizantes?
Fico Gôlgica. Fico mitocôndrica. Fico desoxirribonucleica.
Um dia, tu ta ferrada pela FEBRE DA GALINHA e sai se desfazendo em nugget por aí. Depois vem a DOENÇA DA VACA LOUCA e tu não podia mais comer carne, por correr o risco de sair por aí esfregando o períneo no gelo-baiano, mugir pra hidrante e gritar ME POSSUA pra bonecos sacolejantes de posto de gasolina.
To puta, to baixa (gastei quatro reais no resfenol, compraria um trident e um chope com esse dinheiro), puta, rebuliçosa e aspartâmica.
Eu luto pela glamourização das enfermidades. Preciso agregar valores às minhas mazelas.
Estou aqui com uma febre que me faz sentir uma cafeteira, a cada hora que faço um xixizinho. Meu nariz parece uma daquelas fontes infernais que vendem no mundo verde.
E meu namorado judeu não me come, porque bicha com gripe do porco não é koscher...
Vamos fazer alguma coisa BRASIL!!! Vamos dar as mãos, vamos nos unir e depois nos limpar com álcool gel (com que faço uma ótima caipirinha de Frisco sabor tamarino).
Febril, fóbica, ebulínica, penso em me rasgar inteira e me trasnformar em origamis, mas o medo de me desfazerem em folhas de almaço e me trasnformarem em forro de gaiola do Mercadão de Madureira me mantém a aceitação dessa encarnação num corpo que hoje me faz sentir como se fora o sub nitrato do pó de merda da mosca do cocô do burrinho que carregou a parteira da dona de puteiro que alimentou o cavalo do bandido com capim roubado de acampamento do povo do MOVIMENTO DOS SEM TERRA.

Merecemos mais. Eu mereço.
Sem mais por hora, vou ali tossir um paio Seara e depois dormir rapunzélica,afrodítica e macambúzia.....
Beijos nos monossílabos tõnicos que rimam com TU....